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Sistema TEMPOCAMPO divulga boletim de abril

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Durante o mês de abril, os maiores volumes de chuvas se concentraram na faixa norte do país, mas de forma geral, apresentou uma distribuição desuniforme em todo o território. A Região Norte manteve os acumulados mais elevados, superando os 240 mm. No Centro-Oeste e no Sudeste, observou-se uma redução significativa das chuvas, com volumes predominantes entre 60 e 90 mm, caracterizando o início do período seco. Na Região Sul, o cenário foi desuniforme, com áreas registrando acima de 240 mm enquanto outras permaneceram entre 60 e 90 mm.

Em relação ao armazenamento de água no solo (% CAD), o cenário também foi de grande variação entre as áreas. A Região Norte e a faixa norte da Região Nordeste apresentam condições hídricas mais favoráveis, com armazenamento superior a 60% em grande parte das áreas. No entanto, uma extensa faixa que abrange o Centro-Oeste, Sudeste e o interior do Nordeste apresenta níveis críticos, com a umidade do solo oscilando entre 15% e 45%. Na Região Sul, os níveis de armazenamento mostram-se mais favoráveis no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, entre 45% e 75%, enquanto o Paraná apresenta valores mais baixos, situados na faixa de 15% a 45%.

Quanto às temperaturas máximas, abril foi marcado por calor intenso em grande parte do território. No Norte, Nordeste, Centro-Oeste e partes do Sudeste, as máximas predominaram entre 29 e 31°C. Temperaturas mais amenas foram observadas no Sul e no leste do Sudeste, com valores máximos médios oscilando entre 25 e 29°C.

Com relação às temperaturas mínimas, nas regiões Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste, as mínimas permaneceram mais elevadas, oscilando majoritariamente entre 21 e 23°C, chegando a 25°C em áreas da Amazônia. No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e sul do Paraná, as mínimas se situaram predominantemente entre 17 e 19°C.

TEMPO E AGRICULTURA BRASILEIRA

Milho 1ª safra

As estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a produção da primeira safra de milho no mês de abril indicam avanço dos trabalhos de campo nas principais regiões produtoras, com os números finais confirmando as tendências observadas ao longo da safra. As projeções indicam uma produção total cerca de 12,2% maior do que a registrada no ciclo anterior.

No Rio Grande do Sul, a colheita avançou lentamente no mês de abril, alcançando 94% da área total semeada, conforme dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS). As chuvas registradas no estado, juntamente com a priorização da colheita da soja, resultaram em um ritmo de colheita menor que o observado no mês anterior. De forma geral, a produtividade das lavouras é satisfatória, com as áreas tardias favorecidas pelas condições climáticas no início do mês de abril.

Em Santa Catarina, a colheita está próxima à conclusão, alcançando 97% de área cultivada. De acordo com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri/SC), o mês de abril serviu para confirmar o bom desempenho das lavouras, que mantiveram o padrão adequado de produtividade observado no mês anterior, com poucas áreas tardias apresentando queda de qualidade.

No Paraná, a colheita da primeira safra foi tecnicamente encerrada na maioria das regiões, atingindo a marca de 98% das áreas. O tempo seco predominante em abril favoreceu o rebaixamento da umidade dos grãos remanescentes, e a produção registrada ficou dentro ou acima do esperado, segundo o Departamento de Economia Rural.

Por fim, em Goiás, o mês de abril marcou o avanço acelerado da colheita nas áreas de primeira safra, sendo finalizada em 35% das áreas, e as demais atingiram plena maturação fisiológica. As expectativas de rendimento médio confirmaram-se positivas, consolidando o estado como um dos destaques em produtividade.

Milho 2ª safra

A semeadura do milho segunda safra foi encerrada nos principais estados produtores durante o mês de abril, consolidando o estabelecimento das lavouras para o ciclo de inverno. Conforme os levantamentos da Conab, o período foi marcado por uma transição climática, com o encerramento das chuvas em diversas regiões e a manutenção de temperaturas elevadas, fatores que elevam o risco para o potencial produtivo das áreas plantadas tardiamente.

No Paraná, segundo o Deral/PR, o cenário em abril apresentou uma redução das precipitações e os baixos níveis de armazenamento de água no solo, que começaram a impactar as plantas em fases reprodutivas. O estado apresenta condições variáveis, com lavouras sob estresse hídrico em regiões onde a umidade não foi suficiente para sustentar o vigor vegetativo diante das altas temperaturas.

No Mato Grosso do Sul, segundo a Conab, as temperaturas máximas elevadas e a tendência de falta de chuvas regulares observada em abril pode colocar em risco o enchimento de grãos, especialmente para o milho que foi estabelecido fora da janela ideal de zoneamento.

No Mato Grosso, as lavouras se beneficiam de um melhor armazenamento hídrico no norte, mas a porção centro-sul já começa a sentir a redução do regime de chuvas típica de abril. Segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA), as condições gerais ainda são consideradas boas devido ao plantio ter ocorrido majoritariamente dentro da janela favorável, mas a manutenção da produtividade dependerá das reservas de umidade remanescentes no solo.

Por fim, em Goiás, as lavouras apresentaram desenvolvimento desigual conforme a época de emergência, com a redução das precipitações em abril afetando o potencial produtivo das lavouras mais precoces.

Soja

A colheita da soja no Brasil encontra-se em fase final, com aproximadamente 92,1% da área nacional já colhida. As projeções seguem indicando volumes históricos de produção, estimados em cerca de 180 milhões de toneladas.

No estado do Mato Grosso, a colheita foi concluída com desempenho recorde, conforme dados do IMEA/MT. De forma geral, a safra 2025/26 apresentou incremento de 1,71 ponto percentual em relação à safra anterior. Esse cenário reflete uma postura mais cautelosa por parte dos produtores, diante dos elevados custos de produção e do contexto de preços da oleaginosa. Apesar das adversidades climáticas ao longo do ciclo, como estiagem no início da semeadura e excesso de chuvas durante a colheita, a cultura apresentou bom desenvolvimento, resultando em desempenho produtivo satisfatório. A produção foi consolidada em aproximadamente 51,55 milhões de toneladas, configurando o maior volume já registrado no estado, superando o recorde da safra anterior.

De acordo com os dados mais recentes do Deral/PR, a colheita no estado do Paraná também se encontra praticamente finalizada, com estimativa de produção em torno de 21,75 milhões de toneladas. Situação semelhante é observada no Mato Grosso do Sul, onde restam apenas áreas pontuais a serem colhidas. Segundo a Aprosoja/MS, cerca de 56,8% das lavouras no estado foram classificadas em boas condições, enquanto 27,6% foram consideradas regulares e 15,6% apresentaram condições ruins.

No Rio Grande do Sul, conforme informações da Emater/RS, a colheita já alcança aproximadamente 79% da área, avançando para a finalização na maior parte das regiões. As produtividades apresentam elevada variabilidade, refletindo as diferenças nas condições hídricas ao longo do ciclo, especialmente durante o período de enchimento de grãos. Áreas semeadas em janelas mais favoráveis registram rendimentos satisfatórios, próximos à média histórica; por outro lado, lavouras implantadas fora dessas condições apresentam perdas que, em alguns casos, superam 50% do potencial produtivo.

Em Santa Catarina, a alternância de dias com e sem precipitação tem favorecido o avanço das operações de campo. No estado do Pará, a colheita também se encontra em fase final, restando apenas algumas áreas nos municípios de Santarém e Paragominas, onde o excesso de chuvas nas últimas semanas dificultou o deslocamento do maquinário e atrasou a conclusão das atividades.

Arroz

A colheita do arroz no Brasil avança para a fase final, com aproximadamente 88,3% da área cultivada já colhida. De modo geral, a safra apresenta bom desempenho produtivo, sustentado por condições ambientais majoritariamente favoráveis ao longo do ciclo, com adequada disponibilidade hídrica em sistemas irrigados e bom desenvolvimento das lavouras. As produtividades observadas mantêm-se em patamares satisfatórios a elevados, com qualidade de grãos adequada, ainda que ocorram variações pontuais associadas a eventos climáticos específicos.

No Rio Grande do Sul, principal estado produtor, a colheita se aproxima da finalização. O ritmo das operações tem sido moderado em função da elevada umidade e da ocorrência de chuvas pontuais, que impactam a eficiência operacional em determinados períodos. Ainda assim, os resultados produtivos das áreas já colhidas são considerados positivos, com bons rendimentos e qualidade de grãos. As lavouras remanescentes encontram-se predominantemente em estádio de maturação e ponto de colheita.

Em Santa Catarina, a colheita encontra-se praticamente concluída, restando apenas áreas pontuais em fase final de maturação. De acordo com a Epagri/SC, a safra 2025/26 apresenta leve retração de área e produtividade em relação ao ciclo anterior, refletindo, em parte, o desempenho excepcional da safra passada e a redução no uso de insumos diante de um cenário menos favorável de preços. Ainda assim, a expectativa é de uma safra dentro da normalidade, com resultados positivos.

No Paraná, a colheita já ultrapassa 95% da área cultivada, com as áreas remanescentes em fase de maturação e apresentando boas condições de desenvolvimento. Em Mato Grosso, as condições climáticas favoráveis têm permitido avanço significativo tanto da colheita quanto da maturação fisiológica das lavouras, com registro de grãos de elevada qualidade.

Em Goiás, a produção concentra-se em áreas irrigadas de menor escala, geralmente inferiores a 50 hectares, atualmente em fase de maturação, enquanto as áreas de sequeiro já tiveram a colheita finalizada. No Maranhão, as lavouras apresentam distribuição entre os estádios de enchimento de grãos, maturação e colheita, com reduzida proporção ainda em fase de florescimento.

No Tocantins, predomina o estádio de maturação, embora tenham sido registrados episódios de acamamento em algumas áreas, associados à ocorrência de chuvas, além da incidência de brusone favorecida pelo aumento da umidade. Esses fatores podem impactar pontualmente a produtividade e a qualidade final dos grãos.

Com informações do Sistema TEMPOCAMPO
04/05/2026

Legenda 1: 
Sistema TEMPOCAMPO
Imagem 2: 
Legenda 2: 
Sistema TEMPOCAMPO
Responsável: 
Caio Albuquerque [2]
Data de controle: 
segunda-feira, Maio 4, 2026


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