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O paradoxo da verticalização urbana

Editoria: 
Pesquisa [1]
Sumário: 
Estudo comparativo revela que verticalização não garante densidade urbana nem maior oferta de espaços livres; Publicada na revista Habitat International, pesquisa da Esalq analisa modelos de urbanização no Brasil e na Europa
Corpo: 

A intensa verticalização observada em grandes cidades brasileiras não assegura, por si só, maior densidade habitacional nem melhor oferta de espaços livres. Essa é a principal conclusão de um estudo desenvolvido pela pesquisadora Patricia Mara Sanches, durante seu doutorado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), sob orientação do professor Demóstenes Ferreira da Silva Filho, do departamento de Ciências Florestais.

Publicado no periódico Habitat International [2], o trabalho comparou oito tipos de morfologia urbana em São Paulo, Brasília e Berlim, avaliando como diferentes configurações espaciais influenciam o equilíbrio entre densidade urbana (habitacional, populacional e construída) e espaços livres. A pesquisa foi realizada em parceria com a Humboldt-Universität zu Berlin e o Helmholtz Centre for Environmental Research, na Alemanha.

A partir de indicadores como densidade habitacional e altura média das edificações, o estudo demonstrou que, embora as torres residenciais apresentem os maiores índices de densidade construída, elas não são as que abrigam mais moradores. Em cidades como São Paulo, o processo de verticalização resultou em edifícios de grande porte, porém com baixa taxa de ocupação, configurando cenários de alta construção e pouca densidade real de pessoas.

Em contraste, três morfologias presentes em Berlim — Contemporânea, Semiaberta (Half-Open) e Perimetral (Edge) — apresentaram o melhor equilíbrio entre alta densidade habitacional e adequada oferta de espaços livres. Já o modelo berlinense tradicional, baseado em quadras perimetrais de 1 a 9 pavimentos, alcançou a maior densidade habitacional média entre todos os tipos analisados, embora com menor disponibilidade de áreas livres. (No artigo, pode-se comparar as morfologias analisadas [3])

Segundo Patricia Mara Sanches, os resultados reforçam a necessidade de repensar modelos de adensamento urbano no Brasil. “A verticalização não garante, automaticamente, cidades mais densas ou com mais espaços livres propícios a arborização. A forma urbana, especialmente o modo como os edifícios se organizam no nível da quadra, é determinante para a qualidade do espaço construído e no aumento potencial dos espaços vegetados”, afirma.

O professor Demóstenes Ferreira da Silva Filho destaca que o estudo contribui para o debate sobre planejamento urbano sustentável. “Os resultados mostram que morfologias baseadas em quadras perimetrais, comuns em cidades europeias, podem representar alternativas mais eficientes para conciliar densidade, mobilidade e qualidade de vida. Esse conhecimento é fundamental para orientar políticas públicas e futuros modelos de urbanização”, avalia.

O estudo aponta ainda que as cidades latino-americanas, ao priorizarem o modelo de lote individual e torres isoladas, tendem a produzir tecidos urbanos fragmentados, com baixa integração entre edifícios e espaços livres. A pesquisa sugere que abordagens baseadas em planejamento por quadras podem oferecer soluções mais equilibradas para o crescimento urbano.

A tese da pesquisadora (que pode ser acessada no banco de Teses da USP [4]) vai além dos indicadores apresentados neste artigo internacional, pois se aprofunda e inclui métricas da ecologia da paisagem para quantificar em termos de áreas e configuração a vegetação nestes espaços livres intraquadra. Segunda a pesquisadora, este capítulo está previsto para futura publicação internacional.

Texto: Caio Albuquerque (15/04/2026)

Legenda 1: 
Quadra na tipologia semi aberta em Berlin (Google Earth)
Imagem 2: 
Legenda 2: 
Quadras perimetrais em Berlin (Google Earth)
Imagem 3: 
Legenda 3: 
Quadras tradicionais em Berlin (Google Earth)
Responsável: 
Caio Albuquerque [5]
Data de controle: 
sexta-feira, Abril 24, 2026


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[1] http://200.144.255.70/taxonomy/term/150 [2] https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0197397525000785 [3] http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0197397525000785 [4] https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11150/tde-04052020-152955/pt-br.php [5] http://200.144.255.70/clippingveiculo/comunidade-exkola