Sistema TEMPOCAMPO divulga boletim de março
Durante o mês de março de 2026, o volume de chuvas manteve-se bastante elevado em grande parte da faixa norte e central do país. A Região Norte continuou registrando acumulados expressivos, superiores a 240 mm em praticamente todos os estados, com exceção de Roraima, que apresentou volumes predominantemente entre 90 e 120 mm. No Nordeste, os acumulados ficaram majoritariamente em torno de 60 a 120 mm na maior parte da região, com volumes mais expressivos, superando os 240 mm, no Maranhão. No Centro-Oeste e Sudeste, os acumulados registrados ficaram acima de 150 mm em grande parte das áreas, com volumes um pouco menores, entre 90 e 120 mm, em São Paulo e no Espírito Santo. Na Região Sul, as precipitações permaneceram predominantemente entre 90 e 120 mm.
Em relação ao armazenamento de água no solo, o cenário permanece de forte contraste entre as regiões. A Região Norte, com exceção de Roraima, o Centro-Oeste e grande parte do Sudeste apresentaram ótimas condições de umidade do solo, com valores de Capacidade de Água Disponível superiores a 75%, com áreas ultrapassando os 90%. Por outro lado, a faixa leste do Nordeste e a Região Sul mantêm uma situação de maior atenção. O Nordeste apresenta armazenamento abaixo de 45% em estados como o Sergipe, Paraíba e Pernambuco, com Alagoas registrando umidade abaixo de 30%. Na Região Sul, a umidade do solo variou entre 30 e 45% na maior parte da região.
Quanto às temperaturas máximas, março foi caracterizado por forte calor em quase todo o território nacional, com valores predominantes entre 29 e 31°C, com áreas no Litoral Nordestino e nos estados de Roraima e Mato Grosso do Sul registrando entre 31 e 33°C. Máximas mais baixas foram registradas em regiões de altitude de Minas Gerais, oscilando entre 25 e 27°C.
Com relação às temperaturas médias mínimas, nas regiões Norte e Nordeste, assim como no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, os valores situaram-se majoritariamente entre 21 e 23°C, com áreas no Norte e Nordeste registrando mínimas de até 25°C. No Goiás, na região Sudeste e região Sul, as mínimas oscilaram predominantemente entre 19 e 21°C, com algumas áreas, especialmente em Minas Gerais, registrando mínimas de até 17°C.
TEMPO E AGRICULTURA BRASILEIRA
Milho 1ª safra
As estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a produção da primeira safra de milho no mês de março indicam a consolidação da produtividade nas principais regiões produtoras, com um ajuste positivo refletindo a colheita avançada. O cenário é de estabilidade, com o clima favorável na reta final do ciclo compensando perdas pontuais ocorridas no início do plantio, mantendo a expectativa de uma boa safra em termos de volume total.
No Rio Grande do Sul, a colheita avançou de forma significativa pelas áreas cultivadas, alcançando 73% segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS). As operações avançam, no entanto, de forma desuniforme, sendo afetada pela ocorrência de chuvas em algumas áreas. O cenário no estado seguiu confirmando uma performance variável entre as lavouras, na qual aquelas que foram plantadas mais cedo e colhidas primeiro garantiram bons rendimentos, enquanto as lavouras plantadas mais tarde acabaram sofrendo com os períodos de irregularidade de chuvas, resultando em menor produtividade e grãos de qualidade inferior.
Em Santa Catarina, a colheita atingiu 88,9% da área cultivada no final do mês de março. Segundo a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri/SC), as lavouras colhidas em março apresentaram produtividade superior às expectativas iniciais, beneficiadas pelas chuvas bem distribuídas no final do verão. O estado mantém um otimismo para uma boa safra, com a maioria das áreas remanescentes em fase de maturação plena e sem registros significativos de ataques de pragas.
No Paraná, a colheita avançou para a fase final, chegando à 91% da área total, favorecida pelo baixo volume de chuvas nas áreas. O estado registrou condições variáveis entre as regiões produtoras, uma consequência direta do clima irregular que atingiu as plantas em diferentes fases de desenvolvimento ao longo da safra. Mesmo diante desse cenário, a expectativa geral para o fechamento da safra continuou favorável.
Por fim, em Goiás, as lavouras que apresentaram excelentes condições durante o mês anterior alcançaram a plena maturação, permitindo que os trabalhos de colheita fossem iniciados e ganhassem fôlego ao longo deste mês de março. O bom padrão fitossanitário e o clima favorável na região garantiram expectativas muito boas para o encerramento do ciclo no estado.
Milho 2ª safra
A semeadura do milho segunda safra atingiu sua reta final nos principais estados produtores, consolidando o encerramento da janela climática ideal em grande parte do país. Conforme os levantamentos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em março, a expectativa de produção para este ciclo mantém-se atenta às variações de produtividade, considerando que muitas áreas podem ser impactadas por condições não favoráveis.
No Paraná, o plantio avançou de forma acelerada durante o mês de março, sendo praticamente finalizado. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral/PR), as lavouras implantadas apresentam condições altamente variáveis. Algumas foram beneficiadas pela boa umidade no solo, enquanto outras sofreram com estiagem e altas temperaturas, resultando em estandes desuniformes. O monitoramento se intensifica sobre essas áreas, que agora dependem da manutenção das chuvas para garantir o potencial produtivo.
No Mato Grosso do Sul, a semeadura ultrapassou 88% das áreas destinadas à cultura. Embora o ritmo da semeadura tenha se intensificado com a colheita total da soja, uma parcela considerável do milho foi plantada fora da janela ideal de zoneamento em algumas regiões, o que eleva o risco climático. Até o momento, as lavouras estabelecidas apresentam boas condições fitossanitárias e estandes uniformes.
No Mato Grosso, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA) aponta que a semeadura foi finalizada em março. O estado consolidou o plantio dentro de um cronograma favorável na maioria das regiões, e as lavouras já se encontram em estádios avançados de desenvolvimento vegetativo e início de florescimento. O bom volume de precipitações registrado ao longo do mês garantiu a manutenção da umidade necessária, sustentando projeções satisfatórias de produção.
Por fim, em Goiás, o plantio da segunda safra também foi finalizado no final do mês. Apesar do receio inicial com o estreitamento da janela, as condições climáticas de março foram favoráveis, permitindo que as plantas emergissem com vigor. Contudo, mantém-se o alerta para a redução do regime hídrico e aumento das temperaturas, típica do final do trimestre, o que definirá a produtividade das lavouras mais jovens.
Feijão 1ª e 2ª safras
As projeções da Conab para a primeira safra de feijão em março confirmam a tendência de redução na produção total, consolidando o cenário de menor área plantada em favor de culturas de maior liquidez. Apesar disso, a produtividade média apresentou ligeira recuperação nas áreas colhidas tardiamente, beneficiadas pela estabilização climática. No que tange à segunda safra, o período marca a transição das operações de campo, com o plantio avançando sob um monitoramento rigoroso das janelas de umidade, enquanto os preços de mercado começam a reagir à menor oferta do grão das águas.
No Rio Grande do Sul, a colheita da 1ª safra avançou para 65% da área, com ritmo desacelerado por conta das chuvas registradas ao longo do mês. Quanto à 2ª safra, a semeadura foi finalizada, e as plantas encontram-se em pleno desenvolvimento vegetativo, apresentando boas condições sanitárias e favorecidas pelo regime de chuvas ocorrido na primeira quinzena do mês. A colheita foi iniciada pontualmente, atingindo 4% da área projetada.
Em Santa Catarina, a colheita da 1ª safra atingiu 89% da área total, conforme dados da Conab. O ritmo das operações desacelerou em março devido ao tempo mais úmido e quente, o que afetou as operações. Paralelamente, a semeadura da 2ª safra ganhou ritmo, embora as estimativas oficiais confirmem uma retração na área cultivada em relação ao ciclo anterior, acompanhando a tendência de substituição por culturas mais rentáveis.
No Paraná, a colheita da 1ª safra foi encerrada no início do mês, consolidando a queda na produção em 41,8 % com relação à safra anterior. O foco de março voltou-se para a 2ª safra, cuja semeadura foi finalizada na última semana de março. As lavouras mais precoces já iniciam a fase de floração e frutificação, sob condições climáticas satisfatórias, apesar da redução na intenção de plantio total para este segundo ciclo seguindo a tendência também observada na primeira safra.
Por fim, em Minas Gerais, a colheita da 1ª safra foi concluída em março, superando os atrasos registrados em fevereiro. De acordo com a Conab, no estado, a produção da 1ª safra se consolidou 2,9% maior que o registrado na safra anterior. A semeadura da 2ª safra avançou ao longo do mês, com ritmo relativamente lento devido à demora na liberação das áreas cultivadas com culturas de verão.
Soja
A colheita da soja no Brasil já abrange aproximadamente 74,3% da área cultivada, mantendo um ritmo compatível com o padrão histórico, ainda que com variações regionais. A produção nacional é estimada em 171,5 milhões de toneladas, indicando crescimento expressivo em relação à safra anterior, impulsionado principalmente pela recuperação da produtividade média em importantes polos produtores.
No Mato Grosso, segundo dados do Imea/MT, a colheita se encontra em fase final, com resultados que confirmam um desempenho superior ao inicialmente projetado em diversas regiões. As áreas localizadas nas porções Norte e Nordeste do estado têm se destacado, apresentando produtividades acima do esperado. De maneira geral, as condições fitossanitárias são favoráveis, com baixos índices de grãos danificados e boa qualidade do produto colhido. Além disso, o avanço da comercialização ao longo do ciclo contribuiu para maior fluidez nas operações.
No Paraná, o predomínio de tempo seco ao longo das últimas semanas favoreceu o avanço da colheita, que já supera 90% da área total, segundo o Deral/PR. Ainda que a produtividade média permaneça em níveis satisfatórios, houve revisão negativa na estimativa de produção, atribuída à distribuição irregular das chuvas nos meses de janeiro e fevereiro. Esse cenário impactou de forma mais significativa as lavouras da região norte do estado, onde se observam reduções pontuais de rendimento.
No Mato Grosso do Sul, o excesso de precipitações têm limitado o progresso das operações em campo, resultando em atrasos na colheita. Em algumas áreas, a persistência de umidade elevada durante a maturação pode comprometer a qualidade dos grãos, exigindo maior atenção no manejo pós-colheita.
No Rio Grande do Sul, de acordo com o Emater/RS, a evolução da colheita segue condicionada à elevada variabilidade climática. As chuvas frequentes têm restringido o acesso às áreas e retardado os trabalhos, embora beneficiem parte das lavouras implantadas mais tardiamente. Atualmente, predomina o estágio de maturação, enquanto uma parcela relevante das lavouras ainda se encontra em enchimento de grãos. A produtividade apresenta grande heterogeneidade, refletindo a irregularidade na distribuição hídrica ao longo do ciclo.
Em Santa Catarina, o desempenho das lavouras varia conforme a época de semeadura. Áreas implantadas no início da safra, especialmente no Planalto Sul, foram reportadas pelo Epagri/SC com perdas associadas a períodos de déficit hídrico. Em contrapartida, cultivos mais tardios foram favorecidos por melhores condições de umidade durante as fases críticas, resultando em bom desenvolvimento geral.
No Pará, a ocorrência frequente de chuvas tem reduzido o ritmo da colheita, principalmente em função de limitações operacionais e logísticas, o que pode prolongar o período de retirada da produção no campo.
De forma geral, a safra atual se caracteriza por um cenário de elevada produção, sustentado por ganhos de produtividade em regiões-chave, embora com desafios localizados decorrentes da irregularidade climática e de entraves operacionais durante a colheita.
Arroz
Mantém-se a estimativa de redução da área cultivada em relação ao ciclo anterior, tanto para o arroz de sequeiro quanto para o irrigado. A produção nacional é projetada em 11 milhões de toneladas, o que representa uma queda de aproximadamente 12,4% em comparação à safra passada.
No Rio Grande do Sul, principal estado produtor, a colheita do arroz irrigado avança de forma consistente, favorecida pela alternância entre períodos secos e precipitações de baixa intensidade, que têm permitido a continuidade das operações, apesar de interrupções pontuais. Segundo a Emater/RS, aproximadamente 50% da área cultivada já foi colhida. As lavouras remanescentes encontram-se majoritariamente em estádio de maturação, com pequena proporção ainda em enchimento de grãos. As produtividades observadas nos talhões colhidos são, em geral, elevadas, refletindo condições climáticas favoráveis ao longo do ciclo, especialmente durante o estabelecimento e o desenvolvimento vegetativo. Contudo, oscilações térmicas na fase reprodutiva e episódios pontuais de excesso de umidade podem comprometer a qualidade industrial e o rendimento dos grãos nas áreas ainda por colher.
Em Santa Catarina, cerca de 94% das lavouras apresentam condições consideradas boas, e a colheita já atinge aproximadamente 26% da área cultivada. As estimativas indicam uma leve retração de 1,3% na área plantada em relação à safra anterior. Segundo a Epagri/SC essa redução está associada, em parte, ao desempenho excepcional do ciclo anterior, com a atual safra retornando a níveis mais próximos da normalidade, além da diminuição no uso de insumos, como fertilizantes e defensivos agrícolas, diante da menor relação entre os preços recebidos e os custos de produção.
No Paraná, com mais de 70% da área já colhida, predomina a fase de maturação, com lavouras em boas condições de desenvolvimento. No Mato Grosso, a cultura apresenta distribuição entre os estádios de enchimento de grãos, maturação e colheita. Em Tocantins, as lavouras encontram-se majoritariamente em fase de maturação, enquanto a colheita já alcança cerca de 30% da área cultivada.
Com informações do sistema TEMPOCAMPO (07/04/2026)



