Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz"
Published on Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (http://200.144.255.70)

Início > Sistema TEMPOCAMPO divulga boletim de dezembro

Sistema TEMPOCAMPO divulga boletim de dezembro

Editoria: 
Pesquisa [1]
Corpo: 

Durante o mês de dezembro, o volume de chuvas, de forma geral, foi maior que o registrado no mês de novembro. A Região Norte manteve volumes elevados, especialmente no Amazonas, Acre, Tocantins e Rondônia, com acumulados acima de 240 mm na maior parte do território. O Centro-Oeste seguiu a mesma tendência, com grande parte do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul também apresentando volumes acima de 240 mm, e Goiás e Distrito Federal com volumes acumulados de cerca de 210 mm. Por outro lado, o Nordeste permaneceu com escassez hídrica na sua porção leste e norte, com acumulados abaixo de 60 mm, enquanto o oeste da Bahia e o Maranhão registraram volumes superiores, variando entre 120 e 210 mm. Na Região Sul e Sudeste, os volumes foram elevados, situando-se majoritariamente entre 150 e 180 mm.

Em relação ao armazenamento de água no solo, a situação seguiu crítica no Nordeste e na porção norte da região Norte, com a maior parte da região registrando valores abaixo de 45% da Capacidade de Água Disponível (CAD). Em contrapartida, as demais áreas da Região Norte e o estado do Mato Grosso apresentaram armazenamento frequentemente superior a 75% e chegando a mais de 90% em Rondônia. O Mato Grosso do Sul, Goiás e Região Sudeste, Minas Gerais e São Paulo mantiveram boas condições, majoritariamente entre 60% e 75%. A Região Sul apresentou uma redução nos níveis de umidade em relação ao mês anterior, registrando armazenamento majoritariamente entre 30% e 45%.

Quanto às temperaturas máximas, dezembro foi marcado por temperaturas elevadas em praticamente todo o território nacional, majoritariamente com máximas registradas entre 29 e 31°C. As máximas mais elevadas foram registradas na faixa norte das regiões Norte e Nordeste, enquanto as temperaturas mais amenas foram registradas na Região Sul e na faixa central do país, com máximas variando entre 25°C e 29°C.

As temperaturas mínimas médias mantiveram-se elevadas na faixa norte das regiões Norte e Nordeste, permanecendo majoritariamente entre 23°C e 25°C. Temperaturas mínimas médias entre 21 e 23°C foram registradas nas demais áreas da região Norte, e no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. No Centro-Oeste, os valores oscilaram entre 21°C e 23°C na maior parte de Mato Grosso e Goiás. O Goiás, a Bahia e a maior parte da região Sudeste apresentaram mínimas entre 19°C e 21°C. Por fim, a Região Sul e o estado de Minas Gerais registraram as menores temperaturas do país, apresentando mínimas predominantes entre 15°C e 17°C.

TEMPO E AGRICULTURA BRASILEIRA

Milho 1ª safra

Em dezembro, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), as expectativas para a primeira safra de milho foram consolidadas. Embora o cenário nacional de produção total ainda aponte uma leve retração de 1,6% frente à safra anterior, ainda há estimativa de crescimento de 4%, impulsionada pela regularização climática observada no último mês.

No Rio Grande do Sul, a semeadura avançou para a fase final, alcançando a quase totalidade da área projetada no final de dezembro segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS). No entanto, o baixo armazenamento de água em algumas áreas, resultado da distribuição irregular das chuvas apesar do elevado volume total registrado no estado, acendeu um alerta para o estresse hídrico, especialmente em lavouras que entram em estágios reprodutivos.

No Paraná, as lavouras seguiram em pleno desenvolvimento, com a maior parte do estágio de frutificação segundo o Departamento de Economia Rural (Deral/PR). Após os eventos de granizo em novembro, a estabilização das chuvas em dezembro favoreceu o estabelecimento das plantas, com a condição geral das lavouras considerada boa, com as temperaturas favorecendo a atividade fotossintética sem causar estresse térmico.

Em Santa Catarina, a semeadura foi concluída e as lavouras apresentam bom vigor, com desenvolvimento entre estágios vegetativo e floração. A ocorrência pontual de granizo foi registrada, mas não houve grandes impactos sobre a pordução, com 92% das lavouras apresentando boas condições fitossanitárias segundo a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri/SC).

Por fim, em Minas Gerais e Goiás, a semeadura de sequeiro avançou rapidamente, alcançando 100% da área prevista, possibilitada principalmente pela recuperação da umidade do solo em dezembro. No Goiás, as lavouras apresentam bom desenvolvimento inicial, favorecidas pelas temperaturas. Já em Minas Gerais, foi registrada a ocorrência de granizo, o que afetou áreas pontuais.

Feijão 1ª safra

No Paraná, a colheita do feijão teve início em algumas regiões, porém os primeiros registros indicam produtividades abaixo do esperado. De acordo com o Deral/PR, em função desses resultados inferiores às estimativas iniciais, o volume total projetado para a safra pode não ser alcançado. Em outras localidades, as lavouras encontram-se em fase de maturação ou em estágio final de desenvolvimento. Episódios de granizo e excesso de precipitação ocorridos ao longo do mês de janeiro demandaram replantios pontuais em determinadas áreas.

Em Minas Gerais, segundo dados da Conab, o plantio foi concluído e as lavouras apresentam condições favoráveis, especialmente nas áreas em estádios reprodutivos. Na Bahia, as lavouras evoluem entre os estádios de desenvolvimento vegetativo e enchimento de grãos. Em Goiás, a maior parte das áreas encontra-se em fases reprodutivas, com condições climáticas favoráveis desempenhando papel determinante na manutenção da qualidade das lavouras e no adequado avanço fenológico das plantas.

Em Santa Catarina, as lavouras apresentam quadro geral favorável, com predominância do estádio de desenvolvimento vegetativo e avanço gradual para a floração nas principais regiões produtoras. Até o final de dezembro, aproximadamente 93% da área prevista havia sido semeada. As condições de lavoura são majoritariamente classificadas como boas, correspondendo a cerca de 97% da área avaliada, enquanto 3% apresentam condição regular. No Litoral Sul Catarinense e no Oeste do estado, observa-se bom desenvolvimento das plantas, embora a ocorrência pontual de granizo, ventos fortes, elevadas temperaturas e períodos de baixa precipitação tenha causado prejuízos localizados e gere preocupação quanto à disponibilidade hídrica durante a floração, fator que pode comprometer a produtividade média caso o período seco persista.

Soja

A semeadura da soja no Brasil alcançou aproximadamente 98,2% da área total destinada ao cultivo. Ao longo do mês de dezembro, a regularização das chuvas em diferentes regiões do país contribuiu para a recuperação de áreas anteriormente afetadas pela irregularidade das precipitações em novembro, período marcado por restrição hídrica em diversas localidades. De acordo com dados da Conab, projeta-se que a safra atual seja 3,4 p.p. superior à anterior, sinalizando a possibilidade de um novo recorde produtivo. No entanto, a consolidação desse cenário dependerá da manutenção de condições climáticas favoráveis ao longo das fases críticas do ciclo da cultura.

No Mato Grosso, a colheita teve início em lavouras de cultivares precoces. Apesar dos elevados volumes de precipitação, os produtores têm conseguido conduzir as operações agrícolas de forma adequada, aproveitando janelas de tempo seco. Segundo o IMEA, a semeadura ocorreu inicialmente em ritmo acelerado, porém as altas temperaturas e a estiagem observadas nos meses de outubro e novembro comprometeram o estande de plantas em algumas áreas. Essa condição foi parcialmente revertida com o retorno das chuvas ao longo de dezembro.

No Paraná, a colheita já ocorre no oeste do estado, e as precipitações registradas favoreceram o desenvolvimento da cultura. O aumento da luminosidade e das temperaturas resultou em aceleração do desenvolvimento fenológico, conforme dados do DERAL/PR, contribuindo para a recuperação de atrasos fisiológicos observados anteriormente. A maior parte das lavouras encontra-se em fase de frutificação, com o estado fitossanitário sob controle, apesar de registros pontuais de percevejos e ferrugem asiática, que demandaram intervenções com inseticidas e fungicidas. Em áreas semeadas precocemente, observa-se alongamento do ciclo em função das condições climáticas atípicas dos meses anteriores, embora o cenário geral seja de estabilidade.

No Mato Grosso do Sul, as lavouras apresentam desenvolvimento fisiológico adequado, contudo permanece a necessidade de continuidade das chuvas, especialmente nas regiões Leste e Sudoeste, onde predominam áreas em estádios reprodutivos. Segundo a Aprosoja/MS, a semeadura da primeira safra foi concluída com 85,7% das lavouras em boas condições, 12% em condição regular e 2,3% em condição ruim. Nas regiões centro e sul do estado, o avanço da semeadura ocorreu de forma rápida, impulsionado principalmente pelos bons volumes de precipitação. O trimestre de dezembro-janeiro-fevereiro é considerado determinante para a cultura no estado, pois coincide com o período reprodutivo da soja, de modo que extremos de temperatura ou precipitação podem comprometer diretamente o potencial produtivo.

No Rio Grande do Sul, as chuvas mantiveram níveis adequados de armazenamento de água no solo, favorecendo o desenvolvimento da cultura. Entretanto, essas condições também contribuíram para o aumento da incidência de ferrugem asiática e para prejuízos em lavouras estabelecidas em áreas de baixada, anteriormente cultivadas com arroz. Conforme a Emater/RS, a semeadura atingiu cerca de 93% da área projetada, com desaceleração significativa no último decêndio de dezembro, em função da recorrência de precipitações volumosas e dos curtos intervalos de tempo seco, que dificultaram a redução adequada da umidade do solo para operação das semeadoras. De modo geral, a maior parte das áreas encontra-se em fase vegetativa, com os plantios mais precoces iniciando o florescimento. A incidência de pragas e doenças permanece baixa, embora o manejo fitossanitário esteja condicionado à elevada umidade do ambiente, levando alguns produtores à adoção de aplicações preventivas de fungicidas.

Em Santa Catarina, o plantio da primeira safra foi finalizado e o desenvolvimento da cultura é considerado satisfatório, com bom potencial produtivo. Segundo a Epagri/SC, a estimativa inicial da safra 25/26 indica redução de 1,75 p.p. na área cultivada com soja, parte da qual vem sendo retomada pelo milho-grão, pela silagem e pela expansão do cultivo de tabaco no sul do estado. As três regiões responsáveis por aproximadamente 58% da área cultivada apresentam situações distintas. Em Canoinhas, houve atraso inicial em função de frio e excesso de umidade, além de ocorrência pontual de granizo, ainda assim as lavouras apresentam bom desempenho. Em Curitibanos, o plantio avança dentro da janela recomendada, enquanto em Xanxerê o plantio encontra-se praticamente finalizado, com lavouras nos estádios V3 e início do período reprodutivo, sob manejo adequado.

Em São Paulo, a maioria das áreas encontra-se em estádios reprodutivos, apresentando bom desenvolvimento, com início da colheita previsto para meados de janeiro. Em Minas Gerais, as chuvas regulares e a amplitude térmica têm favorecido o desenvolvimento da oleaginosa, embora na região noroeste tenham ocorrido episódios de granizo que causaram danos pontuais em algumas áreas. Na Bahia, as condições climáticas permanecem favoráveis ao desenvolvimento da cultura.

Arroz

A safra de arroz no Brasil atingiu aproximadamente 91,6% da área total destinada à semeadura. De acordo com dados da Conab, a safra em curso apresenta avanço expressivo nas principais regiões produtoras, superando em mais de 75% a estimativa inicial de área destinada ao cultivo, com destaque para os estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná.

No Rio Grande do Sul, conforme informações da Emater/RS, a semeadura alcançou cerca de 97% da área prevista. Esse avanço ocorreu em um contexto de elevada frequência de chuvas e altos volumes de precipitação, que dificultaram as operações de campo, especialmente em áreas de semeadura tardia e na execução de tratos culturais. A maior parte das lavouras encontra-se em fase de desenvolvimento vegetativo, representando aproximadamente 97% da área, enquanto áreas mais precoces já avançam para o período reprodutivo, com cerca de 3% em floração. De modo geral, o estabelecimento das lavouras é considerado adequado. As chuvas registradas ao longo de dezembro, embora tenham imposto desafios operacionais, foram relevantes para a recuperação e manutenção de rios e mananciais, contribuindo para a redução da necessidade de irrigação suplementar e para a ampliação da reserva hídrica disponível à cultura. Ainda assim, foram observados alagamentos pontuais em algumas localidades, sobretudo na região central do estado, ocasionando danos localizados.

Em Santa Catarina, segundo a Epagri/SC, a estimativa para a safra 2025/26 indica uma redução de 1,3 p.p. na área cultivada em relação à safra anterior. Projeta-se também retração de 4,91% na produtividade, reflexo do desempenho excepcional do ciclo passado, com a safra atual retornando a patamares mais próximos da média histórica. Atualmente, 100% da área destinada à cultura já foi semeada, sendo que cerca de 95% das lavouras encontram-se em boas condições, predominantemente em fase de desenvolvimento vegetativo.

No Paraná, a maior parte das áreas encontra-se em estádios reprodutivos, apresentando bom desenvolvimento. No Maranhão, as operações de semeadura avançam principalmente nas áreas de sequeiro, localizadas nas regiões sul, centro, leste e oeste do estado, em função da ocorrência de chuvas, enquanto a colheita do arroz irrigado segue em andamento. No Tocantins, os produtores realizam os tratos culturais, com as lavouras beneficiadas por condições climáticas favoráveis. Em Goiás, a colheita pontual do arroz irrigado prossegue, com registro de boas produtividades, enquanto as demais áreas apresentam ótimas condições de desenvolvimento.

Legenda 1: 
Sistema TEMPOCAMPO
Imagem 2: 
Legenda 2: 
Sistema TEMPOCAMPO
Responsável: 
Caio Albuquerque [2]
Data de controle: 
segunda-feira, Janeiro 12, 2026


Source URL:http://200.144.255.70/banco-de-noticias/sistema-tempocampo-divulga-boletim-de-dezembro-3

Links
[1] http://200.144.255.70/taxonomy/term/150 [2] http://200.144.255.70/clippingveiculo/comunidade-exkola