Sistema TEMPOCAMPO divulga boletim de fevereiro

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Durante o mês de fevereiro de 2026, o volume de chuvas manteve-se elevado em grande parte da faixa central e norte do país. A Região Norte continuou registrando acumulados expressivos, superiores a 240 mm em todos os estados exceto Roraima, que apresentou volumes inferiores a 30 mm. No Nordeste, os acumulados ficaram em torno de 60 a 120 mm, com volumes levemente mais expressivos na faixa oeste da região. No Centro-Oeste e Sudeste, os acumulados registrados ficaram acima de 240 mm em grande parte das áreas. Na Região Sul, apesar do enfraquecimento do La Niña, as precipitações foram irregulares, com acumulados predominantemente entre 90 e 120 mm.

Em relação ao armazenamento de água no solo, o cenário permanece de forte contraste. A Região Norte (exceto Roraima), Centro-Oeste e Sudeste, apresentaram boas condições de umidade do solo, com valores de Capacidade de Água Disponível (CAD) superiores a 60%. Por outro lado, o Nordeste mantém uma situação de estresse hídrico, especialmente em Sergipe, Alagoas e Pernambuco, com grande parte do seu território registrando armazenamento abaixo de 45%. Na Região Sul, os índices de umidade variam predominantemente entre 45% e 60% no Paraná e Santa Catarina, enquanto no Rio Grande do Sul a umidade permaneceu mais baixa, entre 30% e 45%.

Quanto às temperaturas máximas, fevereiro foi caracterizado por calor persistente em quase todo o território nacional, com valores predominantes entre 29 e 31°C. As temperaturas mais extremas, superando os 35°C, foram observadas em Roraima. As máximas ligeiramente mais baixas foram registradas em áreas de Minas Gerais, Goiás, Amapá e Pará, oscilando entre 27 e 29°C.

As temperaturas mínimas médias mantiveram-se elevadas nas regiões Norte e Nordeste, e nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, com valores situados majoritariamente entre 21 e 23°C, com algumas áreas, especialmente no Amazonas, registrando mínimas de até 25ºC. Na região Sudeste e no Paraná, as mínimas oscilaram predominantemente entre 19 e 21°C. Já em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, as mínimas variaram entre 17 e 19°C.

Tempo e agricultura brasileira

Milho 1ª safra

As estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a produção da primeira safra de milho apresentaram aumento de aproximadamente 7% em relação ao último levantamento, evidenciando o efeito das boas condições climáticas majoritariamente observadas ao longo do ciclo da cultura.

Rio Grande do Sul, a colheita alcançou 68% da área, segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS). Foi observada performance desuniforme das lavouras, onde áreas precoces apresentaram boas produtividades, enquanto aquelas mais tardias sofreram com a falta de chuvas no estado, apresentando menor rendimento e qualidade dos grãos.

Em Santa Catarina, as estimativas de produção seguem otimistas apesar do impacto pontual de estiagens ao longo do mês. A colheita foi realizada em 22% das lavouras, que apresentam boas condições em sua grande maioria, de acordo com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri/SC).

No Paraná, a colheita também avançou, e as lavouras apresentaram condições variáveis, resultado da desuniformidade climática registrada nas fases de desenvolvimento da cultura. Apesar disso, de forma geral, a expectativa de produção segue otimista, com algumas áreas apresentando produtividades recordes no estado.

Por fim, em Goiás, as lavouras apresentaram excelentes condições ao longo do mês de fevereiro, favorecidas tanto pelas boas condições climáticas, quanto fitossanitárias. Boa parte das áreas se encontra em fase de maturação, e espera-se que a colheita se inicie no início do mês de março.

Milho 2ª safra

A semeadura do milho segunda safra avançou nos principais estados produtores com a liberação das lavouras pós colheita da soja. Há expectativa de leve queda na produção dessa safra, resultado principalmente da redução na área cultivada devido ao estreitamento da janela ideal de cultivo.

No Paraná, a semeadura já alcançou 45% da área destinada à cultura. O ritmo de plantio segue a medida em que são liberadas as áreas do cultivo de verão, de forma desuniforme, por conta da irregularidade nas chuvas registradas no estado. Apesar disso, com um maior volume registrado no último decêndio do mês, as lavouras já implantadas apresentam bom desenvolvimento inicial, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral/PR).

No Mato Grosso do Sul, a semeadura foi realizada em cerca de 30% das áreas, valor também inferior ao registrado no último ciclo, seguindo a tendência observada nos outros estados. Esse atraso na semeadura acaba por estreitar a janela ideal de cultivo, o que reflete em maior risco de estresse hídrico para as lavouras tardias. As áreas já semeadas se encontram em boas condições, favorecidas pelas boas condições climáticas.

Em Mato Grosso, a semeadura avançou rapidamente ao longo do mês de fevereiro, alcançando 70,4% da área total, percentual levemente inferior ao registrado no ciclo passado, reflexo do atraso da colheita da soja nas regiões Sudeste e Nordeste do estado. As lavouras já implantadas também apresentam boas condições, favorecidas por um bom volume de chuvas durante a emergência das plantas.

Por fim, em Goiás, as boas condições climáticas favoreceram o rápido avanço da semeadura, que alcançou 28% da área. Apesar disso, esse percentual representa um atraso com relação ao ciclo anterior, o que resulta no estreitamento da janela ideal de semeadura aumentando o risco climático, levando muitos produtores a optarem pelo cultivo de outras culturas menos sensíveis ao estresse hídrico, como o sorgo.

Feijão 1ª e 2ª safras

As projeções para a primeira safra de feijão seguem apontando redução na produção, apesar de uma melhora na produtividade das lavouras devido a condições climáticas mais favoráveis. Isso é um reflexo direto da redução na área destinada à cultura, que apesar de apresentar recuperação dos preços no mercado ao longo do mês, ainda não está atrativa para os produtores, que optaram por culturas mais rentáveis como o milho.

No Rio Grande do Sul, a colheita alcançou 54% da área, segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS). Devido às diferentes condições climáticas no estado, a condição das lavouras é desuniforme, com algumas localidades apresentando bom desenvolvimento, enquanto outras apresentam desenvolvimento prejudicado por estresse hídrico. A semeadura da 2ª foi praticamente finalizada, e as lavouras apresentam boas condições de desenvolvimento, não apresentando impactos relacionados ao déficit hídrico.

Em Santa Catarina, a maior parte das lavouras da 1ª safra de feijão se encontra na fase de maturação, e a colheita alcançou 60% da área total, segundo dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri/SC). As operações avançaram em ritmo lento na primeira metade do mês por conta da elevada umidade, quadro que se alterou no último decêndio de fevereiro, onde um menor volume de chuvas favoreceu a secagem e a colheita dos grãos. Já com relação à 2ª safra, a semeadura se iniciou em áreas pontuais, e é esperada redução na área destinada à cultura, assim como a tendência observada na 1ª safra.

No Paraná, a colheita da 1ª safra foi praticamente finalizada, com uma produção cerca de 43% inferior à registrada no ciclo 24/25, resultado não só da redução da área cultivada, mas também da produtividade, visto que a cultura sofreu com condições climáticas adversas durante as fases críticas do ciclo, principalmente relacionadas a excesso de umidade. Já com relação à 2ª safra, a semeadura já se iniciou pontualmente em áreas recém liberadas pela colheita da soja, e há tendência de redução na área cultivada, assim como observado nos outros estados, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral/PR).

Por fim, em Minas Gerais, a colheita da 1ª safra alcançou 93% da área total, avançando em ritmo lento devido ao elevado volume de chuvas registrado no estado ao longo de fevereiro, especialmente no último decêndio do mês, o que também impactou na qualidade dos grãos em ponto de colheita. O elevado volume de chuvas também refletiu em atraso do calendário de plantio da 2ª safra, que no momento ainda não foi iniciado no estado.

Soja

A colheita da safra de soja atingiu aproximadamente 32,3% da área total destinada ao cultivo no país. De acordo com o último levantamento da Conab, houve revisão na estimativa de área, com incremento de 2,3 p.p. em relação à safra anterior. Adicionalmente, projeta-se aumento de 3,8 p.p. na produção em comparação ao ciclo precedente.

No estado do Mato Grosso, apesar da elevada frequência de precipitações, a colheita avança de forma consistente, sustentada pela elevada capacidade operacional dos produtores. A qualidade dos grãos permanece, de modo geral, satisfatória. Conforme dados do Imea/MT, a colheita alcançou 65,75% da área estimada, com avanço semanal expressivo. As chuvas registradas ao longo de janeiro dificultaram as operações em campo, elevaram a umidade dos grãos e aumentaram a incidência de avarias, o que pode comprometer a qualidade final do produto. A região Médio-Norte apresenta o maior percentual colhido, com 90,55%, seguida pelo Noroeste, com 79,02%, e pelo Sudeste, com 37,38%, sendo esta última a mais impactada pelas precipitações. De forma geral, as perspectivas de produtividade permanecem favoráveis, indicando cenário de elevada produção na temporada.

No Paraná, a ocorrência de déficit hídrico em algumas regiões tem reduzido o potencial produtivo das áreas em fase de enchimento de grãos. Segundo o Deral/PR, aproximadamente 37% da área total foi colhida. Em comparação com a safra anterior, o ritmo de colheita encontra-se atrasado, embora ainda dentro da normalidade histórica. Considerando o calendário de semeadura da segunda safra de milho, um avanço mais acelerado da colheita da soja favoreceria o melhor escalonamento do plantio subsequente, reduzindo riscos associados à janela ideal de semeadura. Atualmente, 88% das áreas remanescentes são classificadas em boas condições.

Em Mato Grosso do Sul, as precipitações ao longo do mês ocasionaram interrupções pontuais na colheita, mas beneficiaram as lavouras tardias em enchimento de grãos. De acordo com a Aprosoja/MS, projeta-se produtividade média 2% superior à registrada no ciclo anterior.

No Rio Grande do Sul, as lavouras enfrentam déficit hídrico, uma vez que as chuvas ocorridas foram insuficientes para suprir a demanda da cultura. A maior parte das áreas encontra-se em enchimento de grãos, correspondente a 60%, seguida por floração, com 28%, desenvolvimento vegetativo, com 8%, e maturação, com 4%. As operações de colheita ainda são incipientes, restritas a áreas de ciclo precoce ou severamente afetadas pela restrição hídrica. As precipitações registradas no segundo decêndio do mês contribuíram para a recomposição parcial da umidade do solo, atenuando o estresse hídrico e reduzindo a irregularidade no desenvolvimento das lavouras. Contudo, a restrição hídrica observada em janeiro e na primeira quinzena de fevereiro, associada a temperaturas elevadas, resultou em perdas irreversíveis, especialmente em áreas semeadas precocemente e situadas em solos rasos, compactados ou com baixa capacidade de retenção de água. Observa-se elevada variabilidade no potencial produtivo, relacionada à distribuição espacial das chuvas, à época de semeadura, ao ciclo das cultivares e às práticas de manejo adotadas.

Em Santa Catarina, até a primeira semana de fevereiro, a semeadura foi concluída em 100% da área prevista. Estima-se que aproximadamente 90% das lavouras apresentem boas condições fitossanitárias e de desenvolvimento. No Goiás, a colheita avança, embora haja relatos pontuais de redução na qualidade dos grãos em decorrência das chuvas. Em Minas Gerais, observa-se cenário semelhante, com incremento na incidência de doenças fúngicas. Na Bahia, a colheita prossegue nas áreas irrigadas e tem início nas regiões de sequeiro, com produtividade dentro das expectativas iniciais.

Arroz

A semeadura foi finalizada no último decêndio de fevereiro, consolidando a redução da área cultivada. No âmbito nacional, aproximadamente 9,2% da área destinada à cultura já foi colhida. Segundo a Conab, projeta-se redução de aproximadamente 13% na produção em relação ao ciclo anterior.

De acordo com a Emater/RS, no Rio Grande do Sul, a colheita encontra-se em fase inicial, abrangendo cerca de 3% da área cultivada, com avanço concentrado nas áreas precoces das regiões oeste e central do estado. A maior parte das lavouras encontra-se em estádios reprodutivos, com predominância do enchimento de grãos, correspondente a 45%, seguido por floração, com 22%, e maturação, com 28%. As chuvas ocorridas ao longo do mês favoreceram a recomposição dos níveis de armazenamento em barragens e ampliaram a disponibilidade hídrica, reduzindo significativamente a demanda diária por irrigação. O desenvolvimento da cultura é considerado adequado, embora haja variações associadas à radiação solar, à temperatura e ao manejo da lâmina de irrigação.

Em Santa Catarina, conforme dados da Epagri/SC, as lavouras encontram-se predominantemente em floração, com 69%, seguidas por maturação, com 18%, e desenvolvimento vegetativo, com 13%. Estima-se que a produtividade da safra atual seja inferior à do ciclo anterior, sobretudo em função do desempenho excepcional anteriormente registrado, sendo a presente safra projetada dentro da normalidade histórica.

No Paraná, as lavouras apresentam boas condições, com predominância de áreas em enchimento de grãos e maturação. No Maranhão, o plantio em sistema de sequeiro foi concluído, e as lavouras encontram-se em desenvolvimento vegetativo, com início do florescimento e boas condições gerais. Em Mato Grosso, a colheita avança conforme a maturação das lavouras, mantendo-se adequada a qualidade dos grãos.

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