Durante o mês de janeiro de 2026, o volume de chuvas apresentou uma intensificação em diversas áreas em comparação ao mês anterior, especialmente na região sudeste. A Região Norte manteve volumes muito elevados, especialmente no Amazonas, Acre e Rondônia, com acumulados superiores a 240 mm. O Centro-Oeste e o Sudeste seguiram essa tendência de alta umidade, com Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo registrando volumes expressivos, majoritariamente acima de 240 mm. Por outro lado, o Nordeste manteve o cenário de escassez hídrica em grande parte do seu território, com acumulados entre 30 mm e 60 mm na porção central e norte, enquanto o sul e oeste da Bahia registraram volumes superiores, acima de 240 mm. Na Região Sul os volumes foram mais moderados em comparação ao Sudeste, com o efeito do fenômeno La Niña resultando em estiagem em diversas áreas da região. Os volumes acumulados situaram-se predominantemente entre 60 e 90 mm, com precipitações concentradas no primeiro decêndio do mês.
Em relação ao armazenamento de água no solo, a situação permanece crítica em grande parte do Nordeste, com valores frequentemente abaixo de 15% da Capacidade de Água Disponível (CAD). Em contrapartida, a Região Norte e a faixa central do país mantiveram boas condições, com índices variando majoritariamente entre 60% e 75%. Já a Região Sul e os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul apresentaram uma manutenção ou leve queda nos níveis de umidade, com o armazenamento situando-se predominantemente entre 30% e 45%, com algumas áreas isoladas chegando a 75%.
Quanto às temperaturas máximas, janeiro foi marcado por calor intenso em grande parte do país, com máximas predominantes entre 29 e 31°C. As temperaturas mais elevadas, superando os 35°C, foram registradas no Nordeste. As temperaturas mais amenas foram observadas em Minas Gerais, onde as máximas variaram entre 25 e 27°C, influenciadas pela maior nebulosidade e chuvas na região.
As temperaturas mínimas médias mantiveram-se elevadas na faixa norte do país, permanecendo majoritariamente entre 21 e 25°C. Nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, os valores oscilaram predominantemente entre 19 e 21°C, com áreas do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul registrando mínimas superiores a 23°C. Por fim, a Região Sul e o estado de Minas Gerais registraram as menores temperaturas mínimas do território nacional, com valores predominantes entre 15 e 17°C.
TEMPO E AGRICULTURA BRASILEIRA
Milho 1ª safra
As estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a 1ª safra 2025/26 indicam uma leve retração produtiva em relação ao ciclo anterior. O potencial das lavouras foi afetado por instabilidades climáticas, especialmente na Região Sul e em Minas Gerais, onde as chuvas ocorreram de forma irregular.
No Rio Grande do Sul a semeadura foi praticamente finalizada, e a colheita alcançou cerca de 28% da área total, ganhando ritmo no final do mês com redução nas precipitações. A irregularidade nas chuvas causou impactos pontuais: em regiões onde o volume de chuvas foi baixo, ocorreu senescência foliar e término precoce do ciclo, enquanto em áreas onde a umidade permaneceu mais elevada no primeiro decêndio do mês, foi registrado grande presença de cigarrinha-do-milho.
Em Santa Catarina, foi registrada uma leve queda no número de lavouras em boas condições, se estabelecendo em 89% na segunda metade de janeiro, segundo a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri/SC). Esse fato é reflexo de impactos pontuais de estiagem e altas temperaturas, que afetaram a fase reprodutiva em algumas áreas. Apesar disso, as estimativas permanecem positivas, e espera-se que a safra tenha produção satisfatória, ainda que abaixo da safra recorde anterior.
Em contrapartida, no Paraná, favorecida pelas condições climáticas favoráveis, a colheita ganhou ritmo, alcançando 3% da área total. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral/PR), a maioria das áreas se encontra em fase de maturação, e as estimativas de produção permanecem otimistas, considerando as boas condições das lavouras.
Paralelamente, o avanço da colheita da soja permitiu o início pontual da semeadura da segunda safra de milho em áreas do Tocantins, Paraná e Mato Grosso, alcançando 6% da área total prevista.
Feijão 1ª e 2ª safras
A colheita da primeira safra de feijão avança em bom ritmo, favorecida pela redução das chuvas na segunda metade do mês na Região Sul. Contudo, o setor enfrenta um momento de desestímulo econômico devido aos baixos preços praticados no mercado, o que impacta diretamente as estimativas de área para o próximo ciclo.
No Rio Grande do Sul, a semeadura da 1ª safra foi praticamente finalizada, e a colheita avança em bom ritmo, favorecidas principalmente pela redução nas precipitações na segunda metade do mês. As estimativas para a produção da 2ª safra de feijão são pessimistas no estado, segundo dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS). É projetada uma queda de aproximadamente 26% na produção desta safra do grão, resultante de uma redução expressiva na área destinada à cultura
Em Santa Catarina, segundo dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri/SC), a colheita da 1ª safra atingiu 31% da área projetada, que por sua vez, registrou um recuo na intenção de plantio ainda maior do que o esperado, resultado principalmente dos baixos preços do grão no mercado, o que acaba por desincentivar sua produção em favor a culturas mais rentáveis como o milho. De forma geral, as lavouras se encontram em boas condições, com áreas pontuais sofrendo com estiagem e outras com granizo.
No Paraná, a colheita da 1ª safra foi praticamente finalizada. Assim como nos outros estados da região, há tendência de redução na área semeada da safra seguinte, resultante dos baixos preços praticados para venda do grão no mercado. A semeadura da 2ª safra foi iniciada no final do mês, alcançando cerca de 8 % da área projetada.
Em Minas Gerais, a maior parte das lavouras da 1ª safra se encontra em fase de floração e enchimento de grãos. Ao longo do mês, avançaram as operações de colheita em ritmo lento devido ao elevado volume de chuvas no estado. Há também preocupação por parte dos produtores com relação a um possível impacto da umidade na produção, uma vez que a alta umidade pode comprometer o padrão comercial dos grãos.
Soja
A colheita da safra de soja teve início de forma pontual em algumas regiões, alcançando aproximadamente 6,6% da área total cultivada, segundo dados da Conab. As chuvas registradas ao longo do mês foram fundamentais, uma vez que grande parte das áreas se encontrava em fases fenológicas sensíveis ao déficit hídrico. Os primeiros resultados de produtividade indicam perspectivas favoráveis para uma nova safra recorde, sustentadas pelo aumento de 2,8 p.p. na área cultivada e pela projeção de crescimento de 2,7 p.p. na produção em relação ao ciclo anterior.
No Mato Grosso, a alternância entre períodos de redução das chuvas e dias de sol favoreceu o avanço da colheita em todo o estado. As produtividades iniciais têm estimulado os produtores. A partir do final do mês, apesar dos elevados volumes de precipitação em grande parte do estado, as atividades de colheita continuaram se intensificando e, de modo geral, as produtividades observadas têm superado as expectativas iniciais. Segundo dados do IMEA, a colheita alcançou cerca de 24,97 p.p., representando um avanço de 12,77 p.p. em relação ao mesmo período da safra anterior, em função da intensificação das operações em campo.
No Paraná, as precipitações contribuíram para o desenvolvimento da cultura, porém retardaram a colheita e a maturação em algumas regiões. No último decêndio do mês, as condições de tempo seco e quente favoreceram a maturação final das lavouras, principalmente nas regiões oeste e sudoeste do estado, com produtividades também acima do esperado. As colheitas iniciais apresentam indicativos positivos e concentram-se majoritariamente no oeste do estado. De forma geral, cerca de 10% da área total foi colhida até a última semana de janeiro, segundo dados do Deral. Aproximadamente 60% das lavouras encontram-se em fase de frutificação, seguidas por 24% em maturação e 16% em floração.
No Mato Grosso do Sul, a colheita ocorre principalmente em áreas de várzea, enquanto as demais áreas apresentam bom desenvolvimento vegetativo. As atividades de colheita seguem concentradas nas áreas irrigadas, com início pontual também nas regiões de sequeiro. De acordo com dados da Aprosoja, cerca de 72,1% das lavouras encontram-se em boas condições, 19,4% são classificadas como regulares e 8,5% como ruins.
No Rio Grande do Sul, o atraso na colheita da primeira safra de milho resultou na postergação do plantio da safrinha de soja. Nesse contexto, produtores demonstram preocupação com a redução das chuvas, embora as lavouras permaneçam, de forma geral, em boas condições. Do ponto de vista fenológico, estima-se que 42% das áreas estejam em fase vegetativa, 46% em floração e 12% em enchimento de grãos. Apesar das precipitações registradas ao longo do último mês, a elevada demanda evaporativa se manteve, associada à alta amplitude térmica, predominância de tempo seco, elevada radiação solar e ocorrência frequente de ventos, resultando em perdas de umidade do solo. Além disso, foram observadas precipitações isoladas e irregulares, com baixos volumes, insuficientes para a recomposição significativa da umidade do solo. Por outro lado, essas condições reduzem a pressão de doenças foliares, embora ainda sejam necessárias aplicações preventivas para ferrugem asiática. Ainda assim, o potencial produtivo da safra permanece elevado.
Em Santa Catarina, as condições das lavouras variam entre satisfatórias e boas, embora o ambiente climático esteja favorecendo o surgimento de doenças. De modo geral, a maior parte das áreas encontra-se em desenvolvimento vegetativo ou em transição para a fase de floração. Segundo dados da Epagri, aproximadamente 95% das lavouras apresentam boas condições.
Em Goiás, o regime chuvoso retardou a colheita das áreas irrigadas, porém proporcionou condições favoráveis para as lavouras em estágios reprodutivos. Em Minas Gerais, as lavouras apresentam bom desempenho e a colheita teve início pontual nas áreas irrigadas. Na Bahia, a colheita também avança nas áreas irrigadas, enquanto as condições climáticas seguem favorecendo o desenvolvimento das áreas de sequeiro.
Arroz
Segundo os dados da Conab, a semeadura da safra de arroz encontra-se em fase de conclusão, alcançando aproximadamente 98,5% da área total destinada ao cultivo do grão. As chuvas registradas no último mês contribuíram para o restabelecimento dos mananciais que apresentavam níveis reduzidos, melhorando o aporte hídrico nas principais regiões produtoras.
No Rio Grande do Sul, as áreas mais precoces ingressaram na fase de enchimento de grãos, aproximando-se da colheita, enquanto as demais lavouras seguem com bom desenvolvimento. Segundo dados da Emater, 57% das lavouras encontram-se em desenvolvimento vegetativo, 34% em floração e 9% em formação e enchimento de grãos. A elevada disponibilidade de radiação solar ao longo do último mês favoreceu o crescimento vegetativo. Contudo, a ocorrência de baixas temperaturas em áreas representativas, especialmente na região da Campanha, durante fases sensíveis do ciclo, elevou o risco de esterilidade de espiguetas, sobretudo em lavouras em pré-floração e floração plena. Ainda assim, as condições hídricas permanecem adequadas, e os reservatórios e mananciais têm garantido a continuidade da irrigação, embora haja possibilidade de redução nos níveis de rios e barragens em função da elevada demanda evaporativa.
Em Santa Catarina, a maior parte das áreas cultivadas encontra-se em fase de enchimento de grãos no litoral Norte e em floração no litoral Sul. A disponibilidade hídrica mantém-se adequada ao desenvolvimento da cultura. Segundo a Epagri, em razão da redução da área plantada e da menor produtividade em comparação ao ciclo anterior, que apresentou rendimento recorde, estima-se que a produção total do estado atinja cerca de 1,220 milhão de toneladas. De forma geral, apesar dessa retração, a expectativa permanece positiva, ainda que com resultados menos expressivos. Aproximadamente 95% da área total destinada ao cultivo do grão encontra-se em boas condições, com lavouras em floração e frutificação.
No Paraná, a colheita avança e as demais lavouras apresentam boas condições de desenvolvimento. No Maranhão, o plantio do arroz de sequeiro segue em ritmo lento devido à irregularidade das chuvas, sendo interrompido em algumas áreas pela ocorrência de veranicos, enquanto a colheita do arroz irrigado encontra-se próxima da conclusão. No Tocantins, os volumes de precipitação têm sido irregulares, especialmente nas áreas de várzea. Em Formoso, os reservatórios têm sustentado o manejo das lavouras. No Mato Grosso, a colheita se concentra principalmente nas áreas conduzidas sob sistema de pivô central.



