Fapesp, Esalq/USP e Fundecitrus oficializam a criação do CPA Citros

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Gestores brindam a criação do CPA-Citros (crédito: Denise Guimarães)

Representantes da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) assinaram no último dia 12, em Piracicaba (SP), o convênio que formaliza a criação do Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura - CPA Citros, uma parceria estratégica público- privada em benefício de um dos maiores setores produtivos do agronegócio nacional.

O CPA Citros nasce com a missão de desenvolver soluções científicas e tecnológicas para enfrentar os principais desafios fitossanitários da citricultura, especialmente o greening, além de fortalecer a sustentabilidade da cadeia produtiva. O centro se consolida como a maior rede de inteligência já formada no mundo para o combate à doença. A iniciativa prevê um investimento de R$ 90 milhões nos próximos cinco anos, aportados pelo Fundecitrus, com apoio dos citricultores e das indústrias de suco de laranja, e pela Fapesp, com recursos provenientes do governo do Estado de São Paulo.

O centro reunirá pesquisadores de diferentes instituições e nacionalidades, promovendo uma atuação integrada e em rede para acelerar descobertas e gerar inovação aplicada ao campo. As pesquisas terão foco na interação entre planta, patógeno e vetor, no desenvolvimento de estratégias de manejo mais eficazes e na formação de novos especialistas em citricultura.

Para a diretora da Esalq, Thais Vieira, O CPA-Citros consolida e dá maior robustez às parcerias que já existiam, ampliando a integração entre docentes da Esalq e pesquisadores de outras instituições. “Essa iniciativa um esforço que integra diferentes áreas do conhecimento, como fitotecnia, fitopatologia, melhoramento genético e resistência de plantas, permitindo que os participantes atuem de forma conjunta para enfrentar um problema grave, que afeta não apenas o Brasil e o estado de São Paulo, mas a citricultura mundial. Trata-se de uma cadeia produtiva estratégica, fundamental tanto para a economia quanto para a alimentação da população”.

Segundo o diretor-executivo do Fundecitrus, Juliano Ayres, o CPA é um marco da pesquisa colaborativa no agronegócio. “O centro reúne instituições de excelência para enfrentar de forma estratégica o greening. É uma iniciativa grandiosa, por adotar um modelo de trabalho em rede que integra alguns dos principais pesquisadores do Brasil e do mundo, atuando de forma contínua e colaborativa na busca por soluções para um problema que causa impactos severos à produção de citros em diferentes países”, afirma.

O reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Juniot, enfatizou o modelo criado pela FAPESP, baseado no cofinanciamento entre a Fundação e as empresas, permitindo que a universidade realize pesquisas voltadas a problemas concretos. “Trata-se de um financiamento conjunto entre FAPESP e empresa, cujo orçamento é integralmente destinado à universidade para a busca de soluções para demandas da sociedade”.

Impactos da doença

O Brasil é o maior produtor mundial de laranja e líder global na exportação de suco da fruta. No cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais, a última safra alcançou cerca de 230 milhões de caixas. Apesar da força do setor, o greening segue como a principal ameaça à citricultura. No acumulado das últimas cinco safras, a doença causou a perda equivalente a 102,26 milhões de caixas, com impactos significativos para produtores e indústria. Atualmente, cerca de 47,6% das plantas nos pomares comerciais dessas regiões estão afetadas. “A citricultura tem grande importância para a economia do país e emprega mais de 200 mil pessoas, e o greening impacta diversos setores. Por isso, acreditamos que essa atuação integrada será fundamental para avançar no entendimento da doença e no desenvolvimento de estratégias eficazes de combate”, explica o vice-diretor do CPA Citros, Renato Bassanezi.

Atuação

O CPA Citros é uma rede de inteligência formada por instituições líderes em pesquisa e abrange aproximadamente 75 pesquisadores, de 19 instituições e 36 departamentos de sete países. O centro não possui sede física e será sediado na Esalq/USP, integrando laboratórios no Brasil e no exterior.

Além do Fundecitrus, o centro contará com pesquisadores de outras unidades da USP (Cena, FZEA, FCFRP), UFSCar, Unicamp, Unesp, IAC e Embrapa. Pesquisadores de instituições internacionais, como Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento - Cirad (França), Conselho Superior de Pesquisas Científicas-CSIC (Espanha), Instituto Andaluz de Pesquisa e Formação Agrária, Pesqueira, Alimentar e da Produção Ecológica-Ifapa (Espanha), Universidade da Flórida (EUA), Universidade da Califórnia (EUA), Departamento de Agricultura e Pesca, Governo de Queensland (Austrália), Universidade de Durham (Inglaterra), Universidade de Cambridge (Inglaterra), Universidade de Warwick (Inglaterra) e Universidade do Algarve (Portugal) também atuarão como colaboradores.

Para a pesquisadora da Esalq/USP e diretora do CPA Citros, Lilian Amorim, o centro nasce a partir de uma demanda direta dos citricultores diante da emergência do greening, registrada em 2022 no estado de São Paulo. “Trata-se de uma parceria voltada à pesquisa para a solução de um problema da sociedade, que também atua na educação e na transferência de tecnologia, garantindo que os resultados científicos cheguem rapidamente ao setor citrícola. A Esalq/USP participa de forma expressiva dessas atividades, com mais de uma dezena de professores integrantes do CPA. É um desafio enorme, mas contamos com uma equipe altamente qualificada, capaz de superar esses obstáculos, e esperamos colher frutos dessa parceria em breve”, destaca.

Durante o evento, o presidente da Fapesp, Marco Antônio Zago, relembrou que a parceria entre a FAPESP e o Fundecitrus é histórica. “As duas instituições já foram parceiras no projeto Genoma, que, em 2000, sequenciou pela primeira vez o genoma da bactéria Xylella fastidiosa, causadora do amarelinho, impulsionando a pesquisa em biotecnologia no Brasil. Estamos falando de uma aliança entre pesquisadores, citricultores e órgãos de Estado para resolver um problema grave da citricultura”, enfatiza Zago.

A cerimônia também contou com a presença do secretário-executivo da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Alberto Amorim, que destacou a relevância do CPA Citros para o setor citrícola. “O centro é uma iniciativa fundamental porque rompe fronteiras e paradigmas, reunindo pesquisadores e especialistas de diferentes áreas, criando uma verdadeira rede global de conhecimento. Esse modelo colaborativo permitirá não apenas avançar no controle do greening, mas também fortalecer a inovação, a transferência de tecnologia e a sustentabilidade dos pomares paulistas”, diz.

O presidente da Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq), José Baldin Pinheiro, esteve presente na cerimônia e destacou a importância da parceria. “A Fealq, como fundação credenciada junto à USP para apoio e gestão de projetos, será responsável pela administração dos recursos do Fundecitrus e da FAPESP. Os 50 anos de experiência da Fealq proverá, dentro de toda legalidade, as condições necessárias para que os projetos sejam executados com tranquilidade e contribuam para enfrentar o problema que afeta a citricultura”, ressalta Baldin.

Texto: colaboração Fundecitrus e Esalq (14/1/2026)