Esalq realizou Café com Ermelinda

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Evaristo Marzabal Neves, Marly Therezinha Perecin, Sonia Piedade, Marcos Milan | Crédito: Gerhard Waller

Neste ano de 2026, comemoram-se os 125 anos da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), o Jubileu Secular de Prata. Ações de cunho institucional, científico, artístico e literário, em alusão a Luiz Vicente de Souza Queiroz e Ermelinda Ottoni de Souza Queiroz, tem acontecido na instituição desde dezembro de 2025, ano em que foi lançada a logomarca ‘Esalq 125 anos’.

Sob coordenação do Serviço de Cultura e Extensão Universitária da Esala, no último dia 7 de maio, o Jardim Francês do Museu Luiz de Queiroz, foi palco do “Café com Ermelinda”, evento em que as cenas aconteceram próximas à estátua, em tamanho natural, da ‘protagonista’ do acontecimento. A equipe de atuação apresentou-se vestida com trajes de Ermelinda e Luiz de Queiroz, o que remeteu tanto atuantes quanto visitantes, à época em que viveu o casal. As rosas coloridas do Jardim desabrocharam e, em seus fulgores, apresentaram-se proporcionando um clima mágico e de inigualável beleza.

Ermelinda foi uma mulher de caráter exemplar, de temperamento independente, pioneira de ideias e precursora do universo feminino. Teve sua trajetória marcada pelos caminhos que percorreu ao lado de seu marido. Foi uma mulher à frente de seu tempo. Participava de reuniões de negócios com o marido, realizando ao seu lado, benfeitorias na cidade de Piracicaba. Do ano vigente, são passados 170 anos de seu nascimento.

Em 1901, Ermelinda legitima aquele que fora o maior sonho do casal empreendedor - a inauguração da Escola Agrícola Prática São João da Montanha, já que Luiz de Queiroz falecera em 11 de junho de 1898, deixando para trás sua idealização. Dessa maneira, sua viúva tornou-se figura decisiva na história da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz.

Iniciando a cerimônia, dirigentes e figuras centrais do evento fizeram relatos da trajetória de Ermelinda. Marcos Milan, diretor em exercício da Esalq, destacou o brilhantismo do evento em homenagem à viúva de Luiz de Queiroz. “A participação de Ermelinda na criação desta escola foi extremamente significativa. Ela esteve presente em todo o processo de construção da instituição e, após a morte do marido, foi quem deu continuidade ao projeto. Uma de suas últimas ações, foi assinar a venda da fábrica Boyes e da hidrelétrica para uma companhia que deu início às atividades aqui em Piracicaba”.

Para a presidente da Cultura e Extensão Universitária, Sonia Maria de Stéfano Piedade, tratou-se de uma manhã muito especial para todos que fazem parte da família esalqueana.  “Meu coração esalqueano não poderia deixar de agradecer a esse casal, porque, sem eles, nós não estaríamos aqui hoje. Muitas coisas já foram ditas sobre Ermelinda, mas acredito que se não tivesse a força e a determinação de levar adiante o sonho do marido, esta Escola não estaria aqui funcionando com a excelência que conhecemos hoje”.

Evaristo Marzabal Neves, ex-diretor da Esalq, falou que em suas aulas de ‘Vida universitária e cidadania’ dedicada aos alunos do primeiro semestre, destaca o papel de Ermelinda e Luiz de Queiroz. “Somos filhos deste casal que muito trabalhou para edificar nossa Escola, situada em ambiente rodeado de tantas árvores, com extensa vegetação e portal monumental. Quem viaja pela rodovia Luiz de Queiroz rumo à Piracicaba, se depara logo em sua entrada com a beleza desse patrimônio”.

A historiadora Marli Terezinha Germano Perecin, destacou que Ermelinda teve uma educação muito diferente da maioria das mulheres paulistas e, mais ainda, das piracicabanas de sua época. “Ela nasceu na capital cultural do País, em uma família de revolucionários liberais. Seu prestígio está não apenas em ter sido a grande companheira que acompanhou o marido tanto nos sucessos quanto nos fracassos, mas também em ser considerada a primeira feminista de Piracicaba. Isso se refletia até mesmo nos escândalos que provocava, como usar saias mais curtas e caminhar ao lado do marido em posição de igualdade. Essa postura deixou uma importante lição para as mulheres”.

Carmen Piloto, do Escritório de Relações Institucionais da Esalq, idealizadora da revista EsalqSempre, destacou a publicação de número seis, que relata o protagonismo de Ermelinda. “Entre os tópicos da publicação consta que Ermelinda viveu em um ambiente familiar afetuoso e que valorizava o papel das mulheres, algo pouco comum na sociedade de sua época. Essa formação contribuiu para moldá-la como uma mulher à frente de seu tempo: determinada, culta e atuante nos projetos do casal Souza Queiroz”.

Segunda parte

Uma segunda parte do “Café com Ermelinda” contou com a entrega de documentos resgatados da ‘protagonista’ do evento, pela Banda Ermelindas ao vice-diretor da instituição, Marcos Milan. Formada desde 2023, por um grupo de ex-alunas da Esalq, dos cursos de Engenharia Agronômica e Engenharia Florestal, foi batizada com o nome de Ermelinda, para homenagear e fazer lembrar daquela que é, de fato, uma fundadora da Esalq.

A banda tem três músicas gravadas nas plataformas digitais — Don’t Worry, Be Happy, de Bobby McFerrin, Agora Só Falta Você e Ovelha Negra, ambas de Rita Lee.

Os arranjos e mixagens são feitos pelo professor do Departamento de Genética da Esalq, Antonio Augusto Franco Garcia, que é músico amador e produtor das Ermelindas.

Além da entrega dos documentos emoldurados ao vice-diretor da Esalq, Marcos Milan, as componentes da banda apresentaram dois slides, um de conteúdo histórico e outro de conteúdo musical com uma de suas músicas gravadas.

Conhecedora do trabalho musical e de pesquisa sobre a vida de Ermelinda Ottoni de Souza Queiroz, que a Banda Ermelindas vêm realizando, Rai de Almeida, vereadora da Câmara de Vereadores de Piracicaba, entregou a elas um Voto de Congratulações. Estendendo a homenagem, Rai fez doação de uma tela do artista plástico Rocco Caputo, com o retrato de Ermelinda, ao vice-diretor da Esalq, Marcos Milan.

O “Café com Ermelinda” finalizou com a apresentação do Grupo Vocal Luiz de Queiroz, regido pela maestrina Cintia Pinotti. O repertório trouxe composições de Dorival Caymmi, Pixinguinha, Heitor Villa Lobos e Milton Nascimento.

Após o café, à saída do evento, todos os convidados receberam rosas do Jardim Francês.

  

Alicia Nascimento Aguiar MTb | 32531 | 08 de maio de 2026