No ano que completa seus 125 anos, a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) avança em um dos projetos mais estratégicos de sua história: a implantação do Esalq Science Park.
O processo de implantação do novo ecossistema teve mais um passo importante na manhã da última quarta-feira, 8 de abril, com a realização da primeira reunião do Conselho Estratégico do Parque em formato híbrido. Estiveram reunidos na Esalq a diretora da Esalq, professora Thais Vieira, o Presidente do Conselho de Administração do Grupo Jacto, Ricardo Nishimura, o presidente da Comissão de Relações Internacionais da Esalq, professor José Belasque Junior e o Superintendente Executivo da Fundação Shunji Nishimura, Elvis Fusco.
No diálogo on-line participaram Tito José Bonagamba (Coordenador do Centro de Inovação da USP - Complexo São Carlos, Marcelo Cabral (Parceiro na Citrino Gestão de Recursos), Marcelo P. D. Carvalho (CEO da MilkPoint Ventures).
A pauta da reunião contemplou, entre outros temas, a apresentação do plano estratégico e operacional, do programa funcional, e critérios para seleção da Entidade Gestora.
Esalq Science Park – Criado pela Resolução USP nº 8.829, de 3 de julho de 2025, o Esalq Science Park materializa a visão institucional da Esalq de ampliar sua contribuição à sociedade por meio da inovação, da transferência de tecnologia e da formação de talentos. O Parque será estruturado para conectar pesquisadores, empreendedores, empresas e governo, promovendo um ambiente colaborativo voltado ao desenvolvimento de tecnologias, produtos e serviços baseados em ciência.
A iniciativa nasce com o propósito de transformar conhecimento científico em soluções sustentáveis de impacto regional, nacional e global. O empreendimento, atualmente em fase de planejamento, está ancorado na excelência acadêmica da Esalq e no ecossistema de inovação que se consolidou em Piracicaba, reconhecido como um dos maiores polos AgTech do Brasil.
Com 12 departamentos, mais de uma centena de laboratórios e centros avançados de pesquisa, a Esalq atua como instituição âncora do futuro Parque. Iniciativas como o Cepea, Esalq-LOG, CCARBON, SPARCBio, unidades Embrapii e a incubadora EsalqTec formam um ecossistema já maduro e reconhecido no apoio à inovação e ao empreendedorismo tecnológico.
Entre os objetivos do Parque estão estimular a pesquisa e o desenvolvimento (P&D) em áreas como sistemas agroalimentares sustentáveis, biotecnologia e bioeconomia, energias renováveis, computação aplicada e saúde única; ampliar a transferência de tecnologia; fomentar o empreendedorismo de base científica; e promover a competitividade industrial e o desenvolvimento socioeconômico da região.
O modelo de operação prevê infraestrutura especializada — incluindo laboratórios multiusuários, módulos empresariais, áreas experimentais agropecuárias e serviços de inovação — além de programas de incubação, aceleração, mentorias, suporte à propriedade intelectual e conexão com investidores. O objetivo é tornar o Parque um ambiente capaz de transformar descobertas científicas em negócios de alto impacto.
A diretora da Esalq destaca a oportunidade de ampliar as ações de inovação, oferecendo espaços mais adequados para acolher startups. “Hoje, a região de Piracicaba já enfrenta uma saturação nesse sentido, o que evidencia a importância desse novo empreendimento”. Segundo a diretora, o Parque abrigará projetos de ideação, aceleração e empresas nascentes, além de empresas já consolidadas no mercado que desenvolvam atividades de inovação. “Os futuros parceiros poderão oferecer estágios, empregar nossos egressos e colaborar diretamente com os pesquisadores da Esalq. Essa interação permitirá processos de co-criação e co-desenvolvimento de novas tecnologias e soluções voltadas à agricultura, à produção de alimentos e à mitigação dos impactos ambientais das atividades produtivas”, complementa Thais Vieira.
Para Ricardo Nishimura, é fundamental que o Parque conte com uma entidade gestora imparcial, capaz de garantir relações de confiança entre todos os parceiros. “Essa é uma condição essencial para o sucesso do empreendimento. Um ambiente de inovação desse porte depende da construção coletiva e transparente entre universidade, empresas, setor público e demais instituições. Mais do que levantar prédios, trata-se de construir um ecossistema baseado em credibilidade, diálogo e colaboração contínua. A confiança é o elemento que conecta pessoas, organizações e propósitos, permitindo que soluções de longo prazo sejam desenvolvidas com solidez e impacto”, comentou.
A expectativa é que o Esalq Science Park se torne, nos próximos anos, uma referência nacional na articulação entre ciência, inovação e empreendedorismo, fortalecendo o papel da Esalq como protagonista no desenvolvimento de tecnologias voltadas à agricultura tropical e aos sistemas agroalimentares do futuro.
Texto: Caio Albuquerque (9/4/2026)

